Caminhada Rota do Imigrante Italiano

           O projeto Rota do Imigrante consiste na reconstituição da rota de imigração do Espírito Santo no sentido litoral-interior, palmilhada pela leva de imigrantes, os Italianos que aqui chegaram em 1856 desviados do seu destino natural, que era o Sul do País.

        O Espírito Santo teve sua colonização caracterizada pela presença européia, iniciando-se pelos portugueses no século XVI (que optaram por permanecer no litoral) e posteriormente, já em meados do século XIX, pelos alemães e italianos. Foram atraídos  ao Brasil pela perspectiva com que D. Pedro II lhes acenara, num projeto colonizatório. Já no final do século, os imigrantes eram muito bem-vindos porque viria a prover a economia extrativista do país, da perda da mão de obra escrava, com a abolição da escravatura. Os alemães foram os primeiros estrangeiros a enveredar pelos sertões capixabas buscando um lugar para fixar moradia. Quase vinte anos depois foram seguidos pelos italianos  que acessaram o interior também pelos cursos dos rios como o Piraqueaçu e o Benevente.

       A Rota do Imigrante começou a ser implantada em 2000, inspirada na tradição das rotas culturais e históricas da qual se tem exemplo no próprio Espírito Santo, a rota Os Passos de Anchieta que hoje, como os demais empreendimentos internacionais do gênero, atraem caminhantes de vários lugares. Esse público é impelido por motivações diversas porque o projeto oferece vieses  culturais, históricos, desportivos, ecológicos e turísticos. A Rota do Imigrante refaz o então penoso percurso percorrido pelos primeiros europeus a conquistarem o interior do Espírito Santo seguindo a tradição da época de penetrar nos territórios cobiçados seguindo os rios e cursos d’água, as vias naturais disponíveis.  Penoso  porque não existia caminhos, vias e os bravos colonizadores eram assediados pelas doenças tropicais, animais selvagens e índios canibais. Totalmente diferente de hoje quando a rota por eles desbravada desnuda colinas e vales que compõe um cenário bonito, estimulante e inspirador. 

        O roteiro prevê sinalização indicativa, conscientização da população às margens de sua rota e programa uma caminhada anual coletiva em que se comemora a coragem daqueles pioneiros no Outono. A caminhada é feita em dois dias, sendo que no primeiro dia os imigrantes modernos andam 20 km, de Alfredo Chaves à Matilde. No dia seguinte retomam a caminhada em Matilde andando 10 km até São Roque de Maravilha. Cada trecho equivale a uma jornada regular de quatro horas andando à sombra da Mata Atlântica e ao som de cachoeiras, ora agitada, ora remansosa.

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